Já faz mais de uma década que a Arte Maior cumpre seu papel social. Inspirada pelo desafio de levar a música para novos públicos, em 2014, a escola passou a atender as crianças do Lar Abdon Batista.
Cinco anos depois, com a criação do Instituto, em paralelo à escola, ampliou-se essa frente. E mais um passo foi dado em 2023, quando a gestão migrou por completo para o caráter de Instituto, o que fortaleceu o desenvolvimento de projetos culturais.
O Programa de Formação Musical atende 140 bolsistas e, todo ano, abre novos editais, oferecendo vagas em cursos de canto coral, teoria musical e instrumentos, para alunos de 7 a 17 anos. Os selecionados passam a integrar o Coral Infantojuvenil do Instituto.
A cultura e o cuidado
“Quando abrimos inscrições para as bolsas de estudo, não estamos apenas oferecendo formação musical – estamos abrindo portas para que crianças e jovens descubram seu potencial, sua voz e seu lugar no mundo”, sublinha a psicóloga Rita de Cássia Fernandes, responsável pela Gestão Social do Instituto.
“Mais do que uma escola de música, somos um espaço de transformação, onde a cultura encontra o cuidado, e onde cada nota carrega a esperança de um mundo mais justo e humano.”
Transformar vidas é um privilégio
“Trabalhar no Instituto Arte Maior é viver, todos os dias, a concretização de uma missão que nos move: transformar vidas e realizar sonhos por meio da arte. Nosso processo seletivo é construído com muito cuidado, priorizando quem mais precisa: alunos da rede pública e famílias em situação de vulnerabilidade social.
Para muitos, é a primeira oportunidade de vivenciar a arte de forma estruturada, gratuita e acolhedora. A cada roda de conversa, ensaio ou apresentação, vejo histórias sendo ressignificadas. Alunos tímidos que ganham confiança, famílias que se reaproximam, vínculos que se fortalecem. É emocionante perceber que a música, além de expressão, é ponte – entre pessoas, sonhos e futuros possíveis.”
Rita de Cássia Fernandes, psicóloga, responsável pela Gestão Social do instituto arte maior
“Amo demais”
Entrar no instituto marcou a vida da Helena Schmidt, que faz parte do coral e faz aula de teclado. Desde pequenininha, a menina gostava de cantar e brincar com instrumentos, mas confessa que era tímida, tinha vergonha de falar em público ou se relacionar com pessoas novas. “A música me deixou mais alegre, trouxe felicidade e bom-humor. Amo demais.”
A mãe, Rita, não esconde a satisfação: “Vejo um grande potencial da Helena nesta área”.
“Sou mais feliz”
Quando soube que precisava gravar um vídeo para concorrer à bolsa, Henrique Cataneo não pensou duas vezes.
“Tinha um celular, uma música e um sonho. Minha expectativa estava alta, e fiquei muito contente com o resultado, significou uma nova fase da minha vida”, relata Henrique, que integra o coral e frequenta o curso de violão, instrumento que escolheu por inspiração do avô.
Na escola, o jovem diz ter aprendido a assumir responsabilidades com seus compromissos, além de se expressar melhor e acreditar mais em si mesmo. “Hoje, sou mais feliz por causa disso tudo.”
“Uma família”
Maria Júlia Rocha de Lara faz aulas de coral, teclado e teatro. Descobriu o canto em um grupo da igreja. Atribui seu amor pela música à mãe, Maria de Fátima.
A família apoiou sua decisão de buscar uma vaga na escola, pelo caminho das bolsas. Participou da audição já soltando a voz.
“Estou realizando os sonhos artísticos que sempre tive. Aqui, me sinto parte de uma família muito unida”, diz a menina, que sonha em ser musicista e fonoaudióloga, “para ajudar outras crianças que, assim como eu, sonham com um futuro na arte”.
