A prática do canto coletivo está, há séculos, presente em muitas etnias e culturas do mundo todo, independente do período histórico, estilo ou função a que se destina. Essa prática surgiu já na Antiguidade e se mantém viva e presente até os dias atuais, passando pelo canto praticado em rituais religiosos diversos, festivos e laboriosos, até a performance artística.
Apesar de sua manifestação espontânea, e muitas vezes intuitiva, o canto coral carrega a materialização de um dos mais eficientes instrumentos de memória, resgate, manutenção e divulgação de raízes e tradições sociais, culturais e artísticas por onde passa.
O coro é, por excelência, um meio de expressão musical e cultural extremamente diverso, que se desenvolve coletivamente. Essa coletividade faz com que o canto seja acessível a uma variedade muito ampla de pessoas, desde as mais leigas musicalmente até aquelas que apresentam uma musicalidade mais desenvolvida.
Expressão musical
O conjunto de ações pedagógicas nos ensaios de um coro possibilita o acesso dos coralistas ao canto, proporcionando o desenvolvimento de sua capacidade de se expressar musicalmente.
Os mais leigos, então, iniciam a descoberta da sua própria musicalidade, enquanto os mais experientes têm a possibilidade de se desenvolver ainda mais e de experimentar os processos de produção musical em grupo.
A prática em conjunto
De maneira geral, para músicos, a experiência coral é de grande importância para o aperfeiçoamento da leitura musical, o aprendizado e aprimoramento da técnica vocal, a ampliação da percepção musical, a conscientização de características musicais e vocais dos diferentes estilos de música (versatilidade estilística), entre outros aspectos.
Zoltán Kodály, compositor húngaro, autor de vários métodos de musicalização por meio do canto coral, defende a utilização da atividade em coro como instrumento musicalizador e afirma que, para uma formação musical completa, é necessário o desenvolvimento da prática em conjunto, além de uma experiência musical tão variada quanto possível.
A construção de uma sonoridade homogênea e o equilíbrio sonoro dentro dos naipes são propriedades muito apreciadas na prática coral porque permitem que o conjunto soe como um instrumento único e equilibrado, o que exige um trabalho técnico constante e consistente.
